Porque o pessoal nao gosta da SOPA, mas do mercado dos ‘Congolenses’

Sinceramente, eu sou daqueles que pensa que já basta o tempo de impunidade em relação a distribuição de conteúdo de midia especializada. Ninguém, mas ninguém mesmo quer gastar milhões de dólares na produção dum filme e ver ele ser distribuído de forma anárquica a milhares de destinos sem ninguém pagar nada por isso. É injusto, é contra a força produtora do trabalho.

As produtoras de filmes adoptaram um esquema de roda-los pelos grandes cinemas e só depois de meses vender em formato DVD ou Blu-Ray. No caso da industria de musica o problema é mesmo alarmante. Em Angola foi adoptado o modelo de venda em praças e parques. É um modelo inteligente que permite uma certa ‘justiça’ para quem trabalhou duro na produção do seu trabalho musical. O problema é que ela já sabe que no dia seguinte a mesma vai estar disponível no mercado paralelo. Quem tiver duvida basta passar pelo mercado dos Congoleses (ou Congolenses, sei lá).
O que se passa ali é do piorio. A pirataria ali é lei e recomenda-se. Sei por experiência própria o que digo. Passei praticamente 4 anos diariamente por alí, porque era caminho da faculdade e do trabalho e já sabia que se o Matias Damásio lançou o disco no DOMINGO, na SEGUNDA de manha quando por ali passava, ja lá estava o CD, por pasmemo-nos… meros 100 kwanzas.
Alguém já pegou num papel e numa caneta para tentar saber quanto os artistas ganham e perdem (por dia, mês, ano) com a pirataria ali praticada? Ta ali um trabalho que poderia interessar a um graduando na área das economia e gestão (estou te dando uma ideia e você nem me vai dar nada).

Voltando ao assunto. Ali nos Congolenses, não propriamente dentro do mercado, mas ali fora próximo a estrada de Catete, podem ser encontrados discos de filmes, musicas, novelas, jogos para consolas etc, até entretenimento em formato K7 (não vá aparecer também em BETAMAX hehe).

No mercado dos Congoleses e nas redondezas, a venda de discos piratas rende mais que a venda de carne e peixe.

Mas isto já para não falar que agora até mesmo, canais de distribuição ONLINE garantem disponibilizar discos de cantores Angolanos horas depois de serem lançados nas praças e mercados de sei-la’o-que.

Tudo isto é perigoso e representa uma ameaça ao mercado, não duvidemos, essa é a verdade e ninguem a pode negar. É necessário fazer algo para parar por isso. O cantor Angolano Dog Murras acordou as 5h da manha, para impedir a venda de um de seus discos no mercado do Roque Santeiro. Foram encontradas a apreendidas centenas de copias do mesmo disco já prontinhas para serem distribuídas no ‘mercado negro’.

É verdade que essa é uma estratégia que não resulta quando se trata da Internet. Aqui é necessária uma outra estratégia. Não uma estratégia de dissuasão como a SOPA (Stop Online Privacy Act) , mas uma estratégia de aproximação, que combine com a aplicação de diversos padrões tecnológicos que permitissem a rápida aproximação do cliente final ao conteúdo musical. O Itunes e o Netflix são exemplos bem aplicados do que se espera disso.

As grandes produtoras mundiais sabem que de nada adianta lutarem contra a distribuição anárquica de conteúdo, seja no mercado paralelo de Luanda, ou no Cameló do Rio de Janeiro. É inútil, o que elas querem é controlar os seus conteúdos na Internet. Ali sim para elas se faz a diferença, porque estão envolvidos milhões de dólares em divisas.

O SOPA falha porque pretendeu ir longe de mais. Imagine ir preso e ainda possibilitar que uma autoridade derrube um site ou o feche só porque você fez um vídeo do seu bebé com uma musica de fundo do Sean Kingston e postou no Youtube? Isto sim é ir longe demais. Uma coisa ilegal seria sim postar um vídeo do próprio Sean Kingston sem autorização da produtora dele. A produtora tem todo direito de decidir o que pode ou não pode ser divulgado e quanto quer ou não quer ganhar pelo que produziu.

Eu defendo que exista alguma lei sim que regule a distribuição de conteúdo via Internet, mas que não seja como a SOPA, porque esta SOPA tem alguns ingredientes que sabem a pouco.

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2 pensamentos sobre “Porque o pessoal nao gosta da SOPA, mas do mercado dos ‘Congolenses’

  1. Imagina aprender a fazer um bolo a partir de uma receita e depois partilhar esta mesma receita com alguém e ser acusado de plágio…
    E tem tsmbém de os “hosts” teriam que scanear ou controlar o que o user faz. É como se fábrica de armas fosse responsável por cada um que morre ou sofre um tiro.

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